Uma prova explosiva da existência de Deus?

O Daniel escreveu um artigo sobre o acelerador de partículas que falhou alguns dias atrás. Nos comentários, alguns observaram que não crêem que seja possível provar que Deus não existe:

Bom, eu parto do pressuposto que toda verdade é verdade de Deus. Neste sentido, acho a pesquisa até válida, mesmo que a intenção dos pesquisadores seja provar que Deus não existe.

Concordo. Vão descobrir alguma coisa, mas provar que Deus não existe não é possível. Ouvi alguns argumentos sobre como o Big Bang prova que Deus criou o mundo, e que a teoria do Big Bang nos leva ao ponto inicial quando Deus criou tudo.

Partindo de uma cosmovisão cristã, não tenho dúvida de que estas coisas sejam verdade. Mas o fato é que a grande maioria dos cientistas não vão olhar os resultados da pesquisa por esta perspectiva. E quando o papo é ciência, os pressupostos são essenciais às conclusões.

Pressupostos

Qualquer “prova” parte de certos pressupostos (coisas que são aceitas antes de começar a discussão, o argumento, ou a “prova” científica). Como o André disse, ele parte do pressuposto que toda verdade é verdade de Deus. Essa é uma citação de um pregador e autor que viveu nos séculos 16 e 17, que permanece no linguajar (e nos pensamentos) da comunidade cristã até hoje:

A verdade vem de Deus, onde quer que a encontremos, e é nossa, é do Povo de
Deus… Não devemos fazer destas coisas um ídolo, mas a verdade, onde quer
que a encontremos, é do Povo de Deus; portanto, com uma boa consciência
podemos fazer uso de qualquer autor humano. – Richard Sibbes (1577-1635)

Tanto pelo Sibbes como pelo André, a existência de Deus já está sendo pressuposta, vai ser impossível criar uma prova contra ela se o resto do argumento for interpretado e contextualizado baseado nessa premissa. A mesma coisa vale para os argumentos que o Darius mencionou: dizem que o Big Bang prova que Deus criou o mundo, mas partem do pressuposto que Deus existe e explicam apenas como o Big Bang se encaixa com esse pressuposto, isto é, não o contradiz.

O problema é que a comunidade científica secular (ou seja, os cientistas que não são cristãos) também tem os seus pressupostos, e para a grande maioria, o pressuposto principal é que só podemos conhecer aquilo que podemos observar fisicamente, ou deduzir de outros fatos físicos. A coisa fica um pouco mais nebulosa ao entrarmos nas teorias sobre coisas que não podem ser observadas agora, mas que são criadas a partir dos fatos que podemos observar. No entanto, o pressuposto é o mesmo.

É o caso do Big Bang. Não creio que se provarmos a existência do Big Bang (fisicamente, pois matematicamente já há uma “prova”), possamos provar a existência de Deus. O máximo que poderemos provar é que existia uma energia original no momento da explosão. Alguns dirão que o universo sempre existiu e que explode, expande, se contrai, e explode de novo. É uma teoria interessante mas sem possibilidade de verificação, pois não podemos observar vários universos expandindo e contraindo em seqüencia, só temos unzinho pra observar. Outros (mais fiéis aos seus pressupostos) dirão apenas que antes do momento da explosão, não podemos saber o que aconteceu. É por isso que existem vários cientistas que se autodenominam agnósticos (dizem que não é possível saber se Deus existe) ao invés de ateus.

Três Métodos Lógicos

Sem querer complicar demais, mas reconhecendo que o assunto é um pouco complicado (não durma ainda!), existem três maneiras que usamos para aplicar o raciocínio aos fatos que encontramos no mundo:

  • Dedução – O método mais conhecido. “Uma coisa leva à outra.” Um exemplo da dedução:
    1. Se a casa é vermelha, é onde mora o lobo mau. (Premissa)
    2. A casa é vermelha. (Premissa)
    3. Portanto, é onde mora o lobo mau. (Conclusão)

    Podemos ver que no caso da dedução, a conclusão já está incluída nas premissas. Se aceitarmos as premissas, somos levados a acreditar na conclusão.

  • Indução – A partir de múltiplas observações do relacionamento de causa e efeito, concluimos que se o efeito acontece, a causa provavelmente é a mesma. Por exemplo (plagiando descaradamente a Wikipédia):
    1. Este cubo de gelo é frio (Ou, todos os cubos de gelo que já toquei eram frios). (Premissa)
    2. Todos os cubos de gelo são frios. (Conclusão)
  • Abdução – Não tem nada a ver com alienígenas ou discos voadores. Ocorre quando oferecemos uma explicação para um efeito, sem podermos observar o relacionamento de causa e efeito entre as duas coisas. Neste caso estamos usando o efeito para nos levar à causa, que é o contrário do que fazemos com a dedução e com a indução. É normalmente o menos confiável dos três tipos de raciocínio, pois podem existir diversas causas que poderiam produzir aquele efeito. Mas permite que criemos teorias para explicar a possível causa do efeito sob discussão. Apesar de ter existido em certas formas desde o tempo de Aristóteles (que viveu em meados de 350 A.C.), tem estado em voga nos últimos séculos por causa da sua aplicação ao método científico.

O Método Científico

O método científico é uma mescla destas três metodologias, aplicadas de diversas formas, dependendo da situação. A linha de teoria para lei no meio científico caminha da abdução à dedução. Como exemplo, um cientista morador do deserto, que nunca viu chuva, viaja para uma terra fértil, e chegando lá, pergunta: “Será que a causa desta grama molhada é água caindo do céu?” (Abdução). Depois de morar lá um tempo, e de passar por várias chuvas, ele observa que quando chove, a grama fica molhada, e percebe que a sua teoria está correta. Conclui: “Toda vez que chove, a grama fica molhada.” (Indução). Após conversar com outros cientistas e discutir a questão, eles concordam que o efeito chuva > grama molhada ocorreu com tanta freqüencia que podem começar a considerá-lo uma lei da natureza. É a partir deste momento que começam a pensar da seguinte forma (Dedução):

  1. Se chover, a grama ficará molhada. (Premissa-Lei)
  2. Está chovendo. (Premissa)
  3. A grama ficará molhada. (Conclusão).

Na maior parte das vezes, os cientistas usam o que eles já descobriram sobre o mundo para limitar o tipo de abdução que fazem e as teorias que criam. Por um lado, isto permite avanços incríveis se a base sobre a qual estão construíndo é verdadeira. Por outro, fica difícil “pensar fora da caixa” com estas limitações, e há grande relutância em rever aquelas teorias que já são consideradas leis, ou de admitir que elas possam estar erradas. O filósofo e cientista Thomas Kuhn escreveu sobre algumas destas tendências no seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas (o link é para um resumo feito por um professor da Unicamp), mas uma discussão a fundo deste tema foge aos nossos propósitos (e o post já está longo…).

Fechando os Olhos

Há tambem uma grande relutância na comunidade científica de reconhecer que nem sempre todos os seus pressupostos estão “na mesa”, para todos ver. Querem pensar (e querem que os outros pensem) que estão praticando uma “ciência pura”, sem deixarem que a sua pesquisa seja afetada por fatores psicológicos, sociais, culturais, religiosos, etc. Mas fecham os olhos ao fato de que os pressupostos que alguém tem sobre estas coisas vão afetar vários fatores essenciais à pesquisa:

  • A direção que a pesquisa vai tomar. Quais são as perguntas que queremos responder?
  • O esforço que vamos gastar na pesquisa. O fenômeno que estamos pesquisando é importante ou não?
  • As teorias que vamos propor quanto à causa do fenômeno. São teorias que se encaixam com a nossa cosmovisão?
  • Os resultados que estamos preparados a aceitar. Vão causar problemas com as coisas que já cremos?

Esta tendência não é novidade, e não surgiu com a era da ciência ou com o método científico. É uma tendência puramente humana, à qual já eramos alertados desde os tempos de Cristo:

Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível.. – O Apóstolo Paulo (Romanos 1:20-23)

O problema fundamental é que a ciência, por causa dos seus pressupostos, só admite descobertas que sejam baseadas em fatos físicos, deixando de lado grande parte do resto da experiência do que significa ser humano. Adquirimos conhecimento não só a partir de fatos e premissas mas através de relacionamentos e sentimentos. Só porque não podemos quantificar ou fisicalizar (olha o neologismo) estas coisas, não significa que elas deixem de ser verdade ou que não sejam essenciais na formação da nossa cosmovisão.

E é por isso que Deus terá sempre o status de teoria descartada diante da comunidade científica secular. O máximo que ela pode fazer é chegar ao ponto de admitir que existem certas coisas sobre a natureza que ainda não podemos explicar (e porão ênfase no ainda). Não são apenas fatos, experiências em laboratório, ou teorias que irão levar o cientista a crer em Deus. Por mais convincentes que elas sejam, sempre haverá a possibilidade, dentro da cosmovisão científica secular, de poder explicar estas coisas com outra alternativa.

Diz o néscio no seu coração: Não há Deus. Os homens têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras; não há quem faça o bem. O Senhor olhou do céu para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento, que buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um. – O Rei Davi (Salmo 14:1)

Abrindo os Olhos

Ainda bem que Deus não deixou o homem nesta situação, mas estabeleceu, e continua a estabelecer, relacionamentos com os homens e mulheres que criou, revelando-se a eles ao longo da história e através da Sua Palavra. Não só revelou os seus atributos na criação, mas o fez de várias outras formas, culminando na vinda de Jesus Cristo:

Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo. – O Autor de Hebreus (Hebreus 1:1-2)

Para que o ser humano possa obter o conhecimento de que Deus existe e de quem Ele é, é Deus quem toma a iniciativa:

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus, para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus.

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas. – O Apóstolo Paulo (Efésios 2:4-10)

É Deus quem nos dá nos pressupostos corretos para o nosso raciocínio. A comunidade científica secular tem fé também, porém depositam a sua em pressupostos que não conseguem nem explicar a experiência do ser humano em sua totalidade, quanto menos responder à questão das origens, que não pertence aos fenômenos repetíveis, aferíveis, e reproduzíveis.

Pela fé entendemos que foi o universo formado, pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem – O Autor de Hebreus (Hebreus 11.3)

A “ciência pura” nunca poderá provar a existência de Deus, se seguir os pressupostos que a governam. Mas para aqueles que já foram alcançados por Ele, é uma excelente ferramenta para aprender mais sobre os seus atributos (refletidos na criação), e serve como uma constante confirmação de Sua existência e da sua personalidade, que injetou ordem e estrutura até nos mínimos detalhes, sem por um instante deixar de lado a beleza divina.

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9 comentários

  1. Creio que existem fatos fisicos que mostram que um deus criador existe, como a complexidade irredutivel dos organismos que nao poderiam acontecer atraves da evolucao. Mas voce esta certo. A “ciencia” que ja nega a existencia de Deus como premissa nao vai de repente provar a existencia de Deus. Mas tambem acho ela nao vai conseguir provar que Deus *nao* existe. Digo isso pois provar que alguem nao existe nao e possivel.

    Por exemplo, eu posso deduzir que o Hancock nao existe, pois nao encontro no mundo evidencia que ele existe. Da mesma maneira, os cientistas podem tentar concluir que Deus nao existe pois nao encontram no mundo evidencia (na opiniao deles) de sua existencia. Porem *provar* que Deus nao existe, nao e possivel.

    Creio que ouvi isso pela primeira vez da boca de um ateu, nesse debate (em ingles):
    http://www.veritas.org/media/talks/147

    E um otimo debate sobre a existencia de Deus. De um lado William Lane Craig, uma mente crista briliante, e do outro lado o ateu Austin Dacey. Vale a pena escutar o debate. Tambem recomendo adicionar veritas.org aos favoritos, pois as palestras e debates no site sao muito boas!

    Um abraco,

    Darius

  2. A grande maioria das pessoas, no “geralzão” mesmo, nem imaginam que exista os tais pressupostos.

    Na verdade, perscrutar pressupostos é uma grande ferramenta apologética.

    Concordo totalmente com Sibbes, como foi dito. Mas o grande problema são aquelas pessoas que descartam uma verdade quando ela aparentemente corre contra as Escrituras pela forma como é apresentada.

    O que nós devemos fazer é pesquisar e filtrar muito bem como chega à nós a informação da descoberta. Pelo fato da ciência trabalhar com métodos que já partem de um pressuposto agnóstico, como essa informação nova é lida por aqueles que tem um pressuposto criacionista? E com certeza a nossa leitura deve ser embasada cientificamente, e é nesse ponto que muitas pessoas se escondem, por falta de conhecimento.

    Que Deus nos providencie mais “Adautos Lourenços”, para sua glória.

    Abraços Reformados

  3. Até onde sei mesmo com o Big Bang, é comprovada a existencia de Deus, alias ele é uma prova. Pois tudo que tem um principio tem uma causa e se o universo teve um pricipio(o Big bang), ele tb precisa de uma causa…

  4. Os cientistas jogam todo a gama de adjetivos sobre nós cristãos, porque cremos num conjunto ideológico-espiritual. Mas segundo a teoria, como explicam o universo, todo o universo já esteve condensado em um único ponto singular, onde toda a massa do universo estava presente, juntamente com toda energia e leis físicas, todas atuando e se anulando ao mesmo tempo.

    Partindo do pré-suposto científico então… isso é um fundamento ideológico?

  5. Bom artigo, particularmente na pertinência das passagens bíblicas ao debate. Contudo, é de suma importante destacar (em negrito, itálico, caixa alta) que a ciência empírica NADA PODE OBJETIVAMENTE PROVAR, mesmo de posse das pressuposições corretas. Isso porque o empirismo é uma epistemologia inerentemente defeituosa.
    (veja http://monergismo.com/?p=2181)

    É importante esclarecer que a ciência empírica tem um valor estritamente PRÁTICO. Ela é útil porque, entre erros e acertos, nos traz avanços na saúde, nas tecnologias e no bem estar. Mas verdade conclusiva é algo que ela jamais poderá nos fornecer. A meu juízo, este é que deveria ser o ponto de partida para o presente artigo.
    abs

  6. Olá Marcelo –

    Obrigado pelo comentário e pela sua visita ao nosso blog. Dei uma olhada no link que você mandou, o conteúdo é útil para quem quer discutir a validade do empirismo.

    No entanto, não acho que o presente artigo deva partir de um ponto diferente. Há lugar para diversas abordagens ao relacionamento entre as ciências e o cristianismo, justamente porque o assunto é complicado. Meu propósito aqui não era descartar a ciência ou discorrer sobre se o seu método principal de adquirir conhecimento é falho, e sim, o de mostrar of efeito que os pressupostos tem na busca pela verdade: “O problema fundamental é que a ciência, por causa dos seus pressupostos, só admite descobertas que sejam baseadas em fatos físicos, deixando de lado grande parte do resto da experiência do que significa ser humano.”

    Apesar de achar o artigo do Cheung interessante, creio que ele descarta o método científico um pouco impulsivamente. Não concordo que o método científico todo se reduza à afirmação do consequente, como ele diz. O “peso” que é dado a uma teoria aumenta conforme os dados vão comprovando se ela funciona ou não. Pode ser que alguns cientistas utilizem o método de maneira errada, mas os melhores deles tem a consciência de que a ciência só pode levá-los até a teoria “mais provável” para a causa de algum fenômeno, e não à verdade objetiva, justamente porque o método não pode excluir todas as outras explicações. Especialmente nas últimas décadas, e especialmente no campo da física quântica, encontramos pensadores que sabem que o resultado do seu trabalho será sempre apenas o melhor que pode ser aferido agora, baseado nos modelos que estão usando para tentar explicar o que está acontecendo no universo. E reconhecem que estes modelos precisam ser revisados o tempo todo, porque encontram fenômenos que não se encaixam neles.

    A minha conclusão permanece, que “para aqueles que já foram alcançados por [Deus], [a ciência] é uma excelente ferramenta para aprender mais sobre os seus atributos (refletidos na criação), e serve como uma constante confirmação de Sua existência e da sua personalidade.” Os métodos de investigação da ciência podem ser úteis precisamente porque não dependemos deles como fonte de autoridade final sobre o que existe ou não existe.

    Abraços!

         – David

  7. Olá David,

    Respeito sua opção pessoal de começar o artigo por outra abordagem. Todavia, não concordo que Cheung seja impulsivo (nem mesmo um pouco) ao descartar o método científico; na verdade ele não o descarta, pois atribui-lhe importância prática. Ele apenas mostra que não se pode chegar, pela via empírica, a um conhecimento objetivo da realidade. O empirismo é falacioso porque se baseia no uso das sensações falíveis e na indução. Você corretamente diz em seu artigo que a ciência ampara-se, parcialmente, no processo lógico-dedutivo (e nem poderia ser diferente, pois do contrário todo o processo seria ininteligível), mas ressalte-se que a lógica em si não produz conhecimento; se o empirismo fornece conteúdo falível às premissas, o raciocínio lógico pode até ser válido, contudo jamais verdadeiro. Agora, uma epistemologia racional necessariamente depende de uma metafísica que a comporte (e dependemos da epistemologia racional para interpretarmos essa mesma metafísica). Se não há uma metafísica verdadeira, não há uma epistemologia racional, e vice-versa.

    A ciência empírica se dá debaixo de uma metafísica/realidade. Como o naturalismo não proporciona as condições basilares para a prática científica, ele mina a própria possibilidade de fazer-se ciência.

    Você diz: “O “peso” que é dado a uma teoria aumenta conforme os dados vão comprovando se ela funciona ou não.”

    Mas a própria interpretação dos dados é feita pela via empírica (falível), de modo que a coisa toda cai num círculo vicioso inescapável.

    Outrossim, o “mais provável” pressupõe um critério objetivo, algo que é CERTO; isto é, probabilidade depende de certeza). Ademais (e aqui chamo a atenção), debaixo da cosmovisão cristã, a transmissão da informação [imaterial] não se dá necessariamente pelas sensações. Não existe um ponto de contato NECESSÁRIO entre a informação imaterial e o substrato material (neurônios, células sensoriais etc.). Pela perspectiva cristã, a soberania e onisciência divinas englobam a própria informação de toda a dimensão criada. Deus é imanente na criação (e por isso os corpos físicos não se movem por energia cinética a partir de energia potencial, não existem leis físicas (como forças que operem à parte de Deus) etc., como se a própria criação fosse autônoma; cristianismo não é DEÍSMO). Corpos entram em movimento conforme certos padrões (como a força da gravidade), mas a interpretação disso (na forma de leis) não representa o próprio evento. Simplesmente interpretamos a ação REGULAR de Deus na criação (e ações fora desse padrão regular representam milagres).

    Cheung, à luz de Clark, Malebranche e outros, defende uma forma de ocasionalismo – conceito metafísico segundo o qual alcançamos conhecimento de alguma coisa quando, na ocasião do emprego das sensações (sem depender delas), Deus transmite a respectiva informação em nossa mente incorpórea. Que a mente seja mero produto de sinapses neuronais (como insulina é produzida pelo pâncreas) é pressuposição naturalista (pois afinal, o naturalismo desconsidera a priori a participação de um deus nesse processo). Essa consideração é de suma importância porque a própria possibilidade de se fazer ciência depende da validade da cosmovisão adotada. Ateus se baseiam na ciência, mas não demonstram, antes de tudo, que a ciência é mesmo possível numa metafísica ateísta.

    Reiterando, falar em termos do “mais provável” e do que é “melhor” assume um critério objetivo para o que é [mais ou menos] provável e o que é melhor ou pior. O empirismo não pode justificar mesmo esses critérios.

    Sim, concordo: para os cristãos, a ciência é uma boa evidência da sabedoria e inteligência de Deus. Podemos ver evidências incontestáveis de Deus na criação (ainda que o respectivo versículo não se proponha a justificar uma epistemologia do tipo “vi, portanto sei”). Agora, em debate com ateus, entendo que a discussão se restringirá sempre ao plano filosófico. Aqui a ciência de nada serve.

    Desculpe-me a extensão da mensagem. Achei importante trazer à discussão outras questões cruciais.

    Falando ainda da falácia do empirismo: http://monergismo.com/?p=2133

    abs

  8. Ajude-me se puder, com seu conhecimento sobre esta questão.
    Estou escrevendo um livro, sobre, A ORIGEM DA VIDA.
    Em determinado ponto, deparei, com uma dificuldade, para esclarecer, sobre o personagem, que muitos dizem acreditar Nele, alguns falam que Ele não existe.
    Outros comentam que já conseguiram coisas impossíveis, fora do normal, e por serem atendidos, relatam minuciosamente, com ênfase o resultado.
    Falta uma questão simples, e delicada para minha compreensão, por isso recorro aos que tem um cabedal de conhecimento expressivo.
    Se você acredita fielmente que Ele existe, responda-me, por favor, dentro de uma análise do “ponto de vista pessoal” estas questões.
    Qual é a composição de Deus?
    O que é Deus?
    Quem é Deus?
    Onde está Deus?
    Aguardo sua resposta em breve.
    Obrigado por não apagar o conteúdo antes de ler.
    Atenciosamente agradeço.

    Ulysses Limeira est. S. P, Brasil

  9. Olá Ulysses, seja bem vindo ao mastigue.com.

    Se pelo “ponto de vista pessoal” você quer dizer “o que eu creio”, então posso responder. Creio que o que se pode saber de Deus foi comunicado por Ele através do tempo, primeiro através dos Seus profetas e mais recentemente por Cristo e seus apóstolos. A Bíblia, que reúne os escritos dos profetas e apóstolos, é então a nossa fonte de conhecimento e de resposta para as perguntas que você fez. Então a leitura da Bíblia é um primeiro passo importantíssimo para a compreensão de quem Deus é. Sugiro que comece com o Evangelho de João e, em seguida, leia a carta aos Romanos.

    Creio que Deus é um espírito infinito e eterno, que criou todas as coisas, incluindo o homem. Creio que ele subsiste em Pai, Filho, e Espírito Santo, mas que é um só Deus (o mistério da Trindade, ensinado na Bíblia) e que estas três subsistências fazem parte de uma só essência (Deus é um). Deus é onipresente (está em todo lugar, ou melhor, todo lugar está Nele), onisciente (conhece todas as coisas), e onipotente (todo-poderoso). Deus não é apenas bondoso, Ele é a fonte de todo o bem. Ele não é apenas justo, Ele é a fonte de toda a justiça. Ele não é apenas misericordioso, é a fonte de toda a misericórdia. Deus é amor.

    Ele demonstra este amor no fato de que Ele mesmo, como Filho, veio até a Terra para sofrer a pena que Ele (como Pai) havia estabelecido para aqueles que se rebelassem contra Ele (o que toda a humanidade fez): a morte. Através deste ato ele não só satisfez a sua justiça e santidade, como demonstrou a sua misericórdia e amor para com uma humanidade rebelde. A história da Bíblia, especialmente neste ápice da vinda, ministério e morte de Cristo, é justamente a história da revelação de Deus à humanidade, para que ela O conheça em toda a Sua glória, se arrependa e volte-se para Ele.

    Para fins de pesquisa, um resumo da teologia ortodoxa quanto ao Ser de Deus (e muitas outras perguntas quanto ao cristianismo) pode ser encontrado no Catecismo Maior de Westminster. Um site que se propõe a responder várias destas perguntas é o site All About God, que pode lhe ser útil também.

    Peço a Deus que Ele esteja se revelando para você e que você possa conhecê-lo verdadeiramente, não apenas de uma forma proposicional ou abstrata, mas também sentindo o poder transformador de Deus no seu coração e na sua vida.

    Abraços,

         – David

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