Inocência Perdida

Nojento. Inimaginável. Horripilante. Deplorável.

meninaA maioria dos brasileiros tem acompanhado um caso chocante que vem dominando as notícias no nosso país. Na cidade de Alagoinha, em Pernambuco, uma garotinha de apenas 9 anos engravidou de gêmeos, após ser estuprada pelo padrasto. Os abusos aconteciam desde que a menina tinha 6 anos.

O padrasto já foi preso e ainda confessou ter estuprado a irmã dessa garota, uma deficiente de 14.

Na manhã dessa quarta-feira, 4 de Março de 2009, médicos num hospital do Recife realizaram a cirurgia abortando os gêmeos. Alegaram que esse caso se encaixava em ambos os aspectos no qual o aborto é autorizado na lei brasileira:

a) casos de estupro ou;

b) de risco de vida para a mãe.

O pai, que se diz evangélico, ficou revoltado com o aborto. E para conturbar ainda mais o ambiente, a Igreja católica excomungou os médicos e parentes da menina que consentiram com ou realizaram o aborto.

A opinião do país está dividida nesse caso e o que não faltam são opiniões fortes sobre o assunto. É só olhar alguns foruns pela internet e verá que existe uma discussão muito acirrada rolando.

Mas será que existe um posicionamento bíblico para esse caso?

Primeiramente, algumas considerações:

  • O padrasto é um idiota (estou economizando palavras piores). Gente como ele merecia o pior tipo de castigo. Que tipo de ser estupra menininhas, inclusive uma deficiente?!
  • A menina, coitada, passou por momentos terríveis e sem dúvida carregará pelo restante de sua vida algum peso por causa desse abuso.
  • Acho ridículo o bando de jornalistas politicamente corretos evitarem dizer a palavra ABORTO e a trocarem por “interrupção da gravidez”. Foi aborto e pronto, fala logo e não enrola.
  • Ninguém dá mais crédito nenhum para o que a igreja católica diz. Seriamente, será que as pessoas que ela “excomungou” eram membros da igreja católica mesmo? Será que eles faziam questão de participarem da igreja? Na verdade, acho que a igreja católica por tabela já classifica todo mundo que nasce no Brasil como um “católico” e já enxerga a população como parte da igreja. Honestamente, a maioria dos “católicos” não está nem aí com o catolicismo e a igreja católica. Resumindo, a igreja poderia excomungar a maior parte do Brasil que ninguém ligaria…

Voltando ao assunto central. Foi correto ou não abortarem os gêmeos dessa menina de 9 anos? Médicos alegam que o fator de maior peso nessa decisão foi que a menina corria um certo risco se a gravidez fosse adiante. A princípio isso soa bom, mas seria mesmo?

O que ninguém respondeu nesse caso foi se o risco da menina era IMEDIATO. Ou seja, ela morreria em breve se a gravidez continuasse? Será que o corpo dela não aguentaria a gravidez por completo? Se o corpo dela já estava pronto para engravidar, será que não estava pronto para a gestação?

A bíblia em tudo que trata busca dar valor a vida. E o princípio deve ser o mesmo para nós hoje. Devemos sempre valorizar a vida e, nesse caso, a vida daqueles dois bebês também deveria ter sido valorizada. O problema é que a sociedade parou de enxergar fetos como seres humanos, como vida.

Que culpa tinham do que aconteceu? Seria correto cometer um erro para corrigir outro? O assassinato nesse caso apaga o resultado de um estupro?

Para um cristão não deveria ser tão difícil opinar sobre esse caso. Um cristão só deveria apoiar a decisão de abortar quando ficasse totalmente evidente que os três (menina e os gêmeos) faleceriam se a gravidez continuasse. Nesse caso, aplicaria-se também o princípio de valorizar a vida. É melhor salvar uma vida do que perder três.

No entanto, se a menina conseguisse passar por todo o período gestacional, isso deveria ter sido apoiado. No final, haveria uma fila de pessoas querendo adotá-los e essa confusão toda poderia ter sido evitada. A decisão de abortar foi tomada muito cedo e esse foi o principal problema.

Agora ninguém sabe o que vai passar pela cabeça dessa menina daqui a 10-15 anos. Deve ter um monte de gente que apoia o aborto, torcendo para que ela nunca crie uma consciência. Já que a decisão de abortar não foi dela, quem garante que isso não a traumatize tanto quanto os estupros…

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18 comentários

  1. Prezado Mastigante Daniel,

    Tenho ruminado sobre esta questão. Concordo com vc. Se fosse o caso de optar pelo mal menor, que se fizesse a opção no momento em que o mesmo exigisse. O que temos ai é um momento de propaganda de uma agenda, usando o caso da infeliz criança. Ouvi a entrevista de um dos médicos hoje. Triste a presunção das palavras dele e da reporter.
    abs
    Mauro

  2. Bom, infelizmente a visão do nosso mundo é corrupta. Mas me vem uma pergunta à mente: o que os cristão poderiam fazer efetivamente para evitar esse tipo de situação? Acho que tenho a resposta, mas gostaria de saber a de outros irmãos.

    Abraços!

  3. “O problema é que a sociedade parou de enxergar fetos como seres humanos, como vida”. É interessante essa obs. O pecado, de fato, irmão Daniel, tornou a morte de fetos a solução para casos como o dessa menina. Os valores são outros, a ética é outra e, portanto, as decisões são outras. O homem natural é inimigo de Deus (Rm 8.7).

    O aborto é polêmico pq a briga é violenta! De um lado a Constituição Federal (posição pagã), de outro a medicina e sua ética (depende do médico pra ser pagã), em outro lado a ICAR (pagã por não ser bíblica. a tradição é a palavra final, infelizmente!), em outro toda a mídia (pagã de novo, barulhenta e sensacionalista) e de outro aqueles simpatizantes, geralmente radicais, que são pró ou contra aborto. E no meio está a menina e aqueles que são dignos de serem considerados parentes.

    Faça-nos uma visita no blog, se puder, da união de mocidade presbiteriana conservadora: umpcgyn.blogspot.com
    Será um prazer ter os comentários do irmão lá!

    Graça e paz, em Jesus, o Filho de Deus. Amém.
    Soli Deo gloria.

  4. Prezado Mauro,

    Obrigado pela visita. A entrevista que mais me revoltou foi a do Temporão, nosso ministro da Saúde. Defendeu o procedimento cegamente deixando óbvio que a preocupação era com a agenda (como você disse) e esquecendo completamente a menina.

    Abraço,

    Daniel

  5. Caro André,

    Acho que se a pena de morte estivesse em vigor o padastro pensaria duas vezes. No entanto não acho que dê para exercer algum tipo de controle maior sobre a ação individual de uma pessoa como o padastro. Talvez a mãe poderia estar um pouco mais ligada na situação, etc… Mas realmente, impedir algo assim não é tão possível por causa do pecado que domina a humanidade, mas você pode tentar no mínimo amedrontar alguém que tem esse tipo de desejo acenando com a pena de morte.

    Abraço,

    Daniel

  6. Bom, uma das sugestões seria essa mesmo: influenciar o mundo através das leis de Deus (o que seria um teonomismo, mesmo que velado e tácito).

    Quando Calvino nas Insitutas (Livro 2, Cap. VII e VIII) faz a aplicação da lei de Deus para o homem não-cristão, é exatamente nesse sentido: para “frear” seus instintos mais sórdidos, fazendo-o temer as autoridades constituídas através do rigor da lei.

    Bem meu caro, você sabe para que lugar essa conversa vai caminhar…. =)

    Abraços!

  7. Prezado Danilo,

    Primeiramente agradeço a visita. Realmente fica difícil para um cristão navegar entre tantas camadas pagãs da sociedade e das nossas autoridades. Como disse o Mauro no seu comentário acima, a agenda de várias dessas camadas da sociedade se tornou a prioridade. Preocupação com a menina? Infelizmente, isso é secundário…

    Abraço,

    Daniel

  8. Prezado André,

    Não acho que vai acabar num debate teonomista porque a pena de morte está acima disso. Vejo como se fosse um preceito estabelecido por Deus antes mesmo da Lei ordinária. Para mais, veja o estudo completo feito pelo Solano Portela: http://www.solanoportela.net/na_integra/pena_capital.htm

    Alguém apoiar a pena de morte não o faz um teonomista… 🙂 A menos que o significado da palavra teonomista mudou. hehehe

    Abraço,

    Daniel

  9. Pois então, a “chave” está justamente na questão “o que é melhor para o homem?”. Só registrando que não sou teonomista (ainda)…

    Abraços!

  10. Obrigado pelo link Robson. Apenas esclarecendo que a CNBB não desautorizou a excomunhão da equipe médica. Apenas daqueles que participaram do procedimento sem consentir com o aborto (enfermeiras, etc…). Os médicos que sabiam o que estavam fazendo sim ainda estão excomungados (pelo menos é isso que diz o link que você passou que diz que: “estão excomungados somente os profissionais ‘conscientes e contumazes’ na prática do aborto”).

    Acredito que a mãe não foi excomungada porque existem indícios de que ela era contra o aborto. Veja o meu segundo post sobre o assunto: http://mastigue.com/2009/03/14/inocencia-perdida-parte-b/

    Abraço,

    Daniel

  11. Valeu pela visita Acsa! Fique a vontade para colocar também a sua opinião nos nossos artigos! Essa interação é bem legal!

    Um abraço,

    Daniel

  12. Tristeza profunda ao ver/ouvir ler algo sobre isso…. fico imaginando o coração do Pai ao ver essas coisas acontecendo com as pessoas que Ele ama tanto!! Nosss chega até da agonia de tanta tristeza!

  13. Até agora estou chocada com tudo isso: como o padrasto estuprador não foi excomungado? O que a Igreja Católica tem dado de assistência espiritual, psicológica e material à família? Alguma igreja genuinamente Evangélica tem oferecido auxílio a essas pessoas? E até que ponto a mãe não sabia o que se passava dentro da própria casa (é uma pergunta sincera; não uma emissão de juízo)? Como mãe fico horrorizada ao pensar no que vai no coração dessas crianças agora.Vamos mesmo esperar que as pedras falem por nós cristãos, evangélicos, reformados e…anestesiados?

  14. É Robson, 

    Realmente foi algo muito triste que mostra como o homem é pecador, né? Casos com crianças, como o da Isabella Nardoni no ano passado são de quebrar nossos corações. 

    Enfim, obrigado pela visita. Como estão as coisas por aí?

    Abraço, 

    Daniel

  15. Oi Rogéria, 

    Obrigado pela sua visita. É difícil vermos quem tem se omitido ou se apresentado para ajudar essa família pois estamos muito longe dos fatos verdadeiros e das pessoas envolvidas. Pelo que me parece, a Igreja Católica tentou apoiar e ajudar a família (veja o relato do Padre da cidade de Alagoinha no nosso outro post: http://mastigue.com/2009/03/14/inocencia-perdida-parte-b/). 

    Fica difícil também julgar a mãe. Acredito que nunca vamos saber se ela sabia ou suspeitava de algo. Se ela foi ou não conivente com a situação provavelmente nunca vai ficar claro. Mas realmente paira essa dúvida no ar, será que ela NUNCA suspeitou de nada?

    Por fim, temos que lutar para sair dessa situação de “anestesiados”. Esse é um dos propósitos do Mastigue.com. Despertar os crentes para pensarem e agirem tendo real influência no mundo. 

    Abraço, 

    Daniel

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