Igreja Reformada, sempre se reformando

Ontem foi 31 de outubro. Para uma grande parte do mundo, Halloween. Para outra parte não tão grande, foi uma ocasião para lembrar e celebrar a Reforma Protestante do século 16.

Ao contrário do Halloween, nas redes sociais as “celebrações” da Reforma se estenderam por todo o mês de outubro, com frases de reformadores, trocas de fotos de perfil, etc. E a verdade é que, para um certo segmento daqueles que se consideram parte da “tradição reformada”, essa “celebração” já passou de um dia, para um mês, para se tornar o comportamento normal durante o ano todo. Em vista dessas coisas, quero fazer as seguintes observações.

A Reforma aconteceu há quase 500 anos. Foi um salto tremendo de volta para uma fé centralizada em Cristo e baseada na sua revelação, deixando de lado uma tradição e eclesiologia que havia usurpado a sua autoridade. Mas nos últimos 500 anos muita coisa aconteceu. O zeitgeist (espírito da época) do mundo mudou tremendamente, e isso afetou, e afeta, o pensamento daqueles que compõem a Igreja de hoje.

Clamo, pelo amor que temos ao Pai, que possamos continuar construindo em cima das verdades resgatadas pela Reforma, mas que possamos construir em cima delas e não continuar martelando os mesmos pregos de Lutero e escrevendo as mesmas palavras que Calvino. Que essas verdades possam servir de pano de fundo para uma Igreja que continua a se reformar, avaliando a si mesma como ela é hoje, à luz das Escrituras, sem ter a cabeça presa num túnel do tempo que enganosamente faz pensar que gritar chavões da Reforma (até virtualmente) tem a mínima utilidade para alguém, dentro ou fora da Igreja, nos dias de hoje.

Se querem gritar chavões da Reforma, que gritem esse: Ecclesia Reformata et Semper Reformanda, ou seja, “Igreja reformada e sempre se reformando”. Deixemos de focalizar no “ponto de partida”, que na verdade foi apenas um ponto de retorno, e lembremos do propulsor Semper Reformanda.*

Que Deus nos abençoe!


*Agradeço ao primo Tacito Gueiros por esse último insight.

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1 comentário

  1. E que ao gritarmos o “sempre reformando”, o primeiro a ouvir – e agir! – seja justamente aquele que brada.

    Forte abraço, primo!

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